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quarta-feira

I'm sorry

Reprodução/Pinterest
                                     

Você me disse que não era de se apaixonar. Você olhou nos meus olhos e me disse que, normalmente, suas paixões vinham com um prazo de validade e que, na maior parte dos dias, elas nem vinham. E eu só concordei. Tudo bem, não estava te cobrando nada.

Mas a minha paixão vinha sempre. Todo dia, para ser mais exata. E ela permanecia toda noite. E sussurrava no pé do meu ouvido as coisas mais lindas que eu queria e precisava te dizer. E por você ela persistia a cada vez. A cada pôr do sol, a cada mensagem, a cada chegada, a cada despedida, ela sempre persistia.

Mas você teve a coragem de olhar nos meus olhos e dizer que a sua não.

Eu tive que engolir todo o meu sentimento, e o tranquei na ponta da garganta, com mais de sete chaves. Eu juro que, por todo esse tempo, eu devo ter usado mil cadeados pra manter todos eles longe de você. E isso me torturou por meses. Corroeu minhas entranhas pelo que me pareciam ser décadas. Socou o meu estômago de forma inimaginável por anos, queimou cada célula de honestidade no meu corpo pelo que, eu juro, pareceram séculos.

Mas eu não confessei.

Eu não confessei porque toda vez que eu quase explodia em gritos desesperados por você, era a sua voz dizendo que não conseguia gostar de ninguém, que se enroscava na minha garganta e apertava feito nó de corda. Elas me apertavam sem deixar escapar um sussurro. Sem deixar escapar nada que não fosse o medo de não te ter.

E depois de todo esse tempo, de todo esse medo, de todos os dramas e exageros, de todos esses desencontros, você me olha nos olhos e me diz que acha que está começando a gostar de mim?

Caramba! Meu corpo tremeu de susto. Depois de tudo que você disse, olhando nos meus olhos, você tem a coragem de voltar e dizer que não é bem assim e que queria dar uma chance pra nós dois? Ouvir você me dizer o que eu sempre quis escutar não desata as amarras que você colocou em mim.

Porque eu já as desatei sozinha.

Te ver suplicando não muda nada, porque por muito tempo, quem suplicou fui eu.
Agora, justo agora, você olha nos meus olhos e me diz que você não é uma pessoa de se apaixonar. Que nunca foi. Que sua paixão vinha com um prazo de validade e que, na maior parte dos dias, ela, na verdade, nem vinha...

Mas que, quando viu o pôr do sol refletido nos meus olhos, você soube que poderia se apaixonar por mim a qualquer momento. Você soube naquele dia que sua paixão poderia vir todos os dias, com todos os pores do sol e ficar em todos os nasceres da lua.

Depois de tanto tempo, você me dá o direito a confissão que eu sempre quis fazer.

Mas agora ela não é mais minha.

E depois de tudo que a gente foi e de tudo que a gente deixou de ser, sou eu quem precisa te olhar nos olhos e dizer não. Porque aqueles meus olhos, que refletiam o pôr do sol, não são mais os mesmos olhos que te olhavam com paixão.

Os nós que apertavam a minha garganta afrouxaram. E eu não tenho mais nada a dizer.

I’m sorry! 

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