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quarta-feira

Entrelinhas

Criei diálogos contínuos comigo mesma nos últimos meses. Eram duas vozes falando em minha cabeça, a primeira voz sempre falava pela razão, e a partir dela que minha mente se transformou em uma constante prisão de pensamentos. A segunda voz, por outro lado, representava tudo aquilo que meu coração queria, e foi dela que fiz você minha prisão.

Meus pensamentos dialogam constantemente com as 24 horas do meu dia, cada mínimo detalhe é um gatilho pra tudo aquilo que a razão quer gritar, mas eu abafo. Já criei inúmeras conversas, nas quais tudo aquilo que habita no meu peito é vomitado pela minha boca, tudo parece fazer sentido, e ainda assim, depois de todo o desabafo me trazer conforto por inteiro, o meu coração fala mais alto: NÃO!
E mais uma vez eu sigo sendo esmagada por mim mesma. Afinal, quem é o nosso pior inimigo a não ser nós mesmos?

Me pego oferecendo conselhos e dizendo as pessoas o que elas devem fazer da vida delas, ao mesmo tempo em que eu mesma destruo qualquer indício de que lá no fundo, a razão, a primeira voz deveria falar mais alto - sempre quis ser a minha melhor companhia, e ainda acho que lá no fundo a gente pode acabar se dando bem, eu só preciso ser mais sincera comigo mesma.

Às vezes ouvir o que a razão tem para dizer dói, é como se você estivesse tomando uma dose da pior cachaça, daquele tipo de líquido que quando misturado com outros é incrivelmente bom, mas puro, acaba rasgando a sua garganta. É a mesma coisa com palavras. Elas têm o poder de te salvar, mas podem te despedaçar por inteiro quando são ditas ou ouvidas puras. Sem nenhum tipo de aviso prévio ou filtro. E até as pessoas que afirmam que a cachaça pura não é tão ruim assim, não tem coragem o suficiente de vomitar os sentimentos.
Ninguém gosta de ressaca de álcool, nem de palavras. E eu estou tentando ao máximo esboçar através dessas palavras tudo aquilo que minha mente gostaria de expressar, e o coração? Ah, esse tem dias que eu me recuso ouvir, mesmo já tendo milhares de textos que explicitam sua vontade, talvez esse seja, na realidade, uma composição sobre a agonia que os dois enfrentam do que o que realmente eu gostaria de dizer, afinal, nem eu entendo realmente o que se passa. 
E veja só, me referi ao específico “você” uma única vez ao decorrer do texto, não tinha como, mas dessa vez os holofotes estão todos sobre mim, obrigada ao coração por dar espaço ao meu eu e aos meus conflitos internos, mesmo que tenha sido apenas dessa vez.
Talvez se eu falasse tudo aquilo que eu desejo eu seria uma pessoa melhor comigo mesma, porque sinceramente, o quão boa eu tenho sido pra o meu interior? Me pergunto quase todos os dias. Acho que nem 5% do que deveria.
Escrevi por essas entrelinhas aquilo que gostaria de deixar explícito, mais uma vez por medo (talvez) de escancarar as portas, deixar as coisas fluírem, fazer o cérebro e o coração entrarem em um acordo e desatar os nós. Sei que meu interior reflete a minha felicidade. Só preciso de coragem suficiente para escuta-lo.

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