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domingo

Por favor, desvire o copo

Hoje eu senti vontade de escrever algo, e pensei se deveria mencionar você. Talvez eu não devesse, mas aqui estou. Veja bem, eu até tento não escrever sobre você e a cada novo texto, eu juro que será o último, mas sabemos bem, nunca é. É que eu tenho essa pilha de notas com títulos já prontos e todas destinadas a você.

Esse texto tem nome e é o seu. Então vamos lá! Sabe, quando você foi embora pela segunda vez, eu quis mandar todos aqueles textos de autoajuda para o inferno (fiquei tentada a mandar você também). E eu mandei. O modo que eu sentia sua falta, não precisava ser reparado.

Esse texto tem exagero e é meu. Quando você voltou pela terceira vez, eu quis te contar que achei ter gostado de você e que a dor que senti ao te ver com as mãos cheias de navalhas que iam me cortar já passou, mas estaria mentindo para mim mesma. Você voltou, você sempre volta. Isso não faz a dor sumir, mas ameniza.

Você sempre volta, mas não conta os verdadeiros motivos do seu retorno. Seu orgulho sempre foi maior que a saudade. E eu quis dizer aquelas coisas, porque sei que a sua saudade é de mentira e só toca o seu estômago quando o match não dá certo. Afinal, você só me procura quando o carinho de outras mãos começa a te sufocar.

Até que ponto a gente aguenta?

É sempre assim, você vai e depois volta, me olha com a cara de quem ainda não tomou decisões na vida e eu sento e espero. Você me conta dos seus planos, me convida para fazer algo que você acha legal, mas nunca faz questão de ficar.

Quantas idas serão necessárias até que você goste de ficar?

Quantas despedidas a gente suporta antes de se desintegrar e se transformar em partículas avulsas de uma matéria desconhecida?

Até que número eu preciso contar para não perder o controle e me entregar de bandeja quando você quiser? Porque é sempre assim, quando você quer.

Um, dois, três, quatro... quinze...

Esse texto tem nome e é o seu. Você tá partindo meu coração em pedaços aos poucos e eu não consigo nem me defender.

Uma abelha morre se debatendo ao tentar sair do copo virado de boca pra baixo ou ela desiste e aceita quietinha a morte chegar? Se eu fosse uma abelha presa em um copo, eu morreria de tanto me debater procurando uma saída ou ficaria imóvel?

Esse texto tem lamento e é o meu. Eu entendo que você quer ir e voltar, eu só não aguento mais me debater. Desvire o copo, por favor.

Eu preciso respirar.

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